O
custo, o cronograma e a qualidade são três
importantes variáveis de um projeto. A estreita
relação entre estas variáveis faz
com que a alteração de uma delas seja
responsável por mudanças significativas
nas outras. Das três, a grande vedete do mercado
consumidor é a qualidade.
Há
quem acredite que a diminuição da quantidade
de tempo e dinheiro investidos em um projeto comprometerá
a qualidade do produto. Segundo o especialista em Qualidade,
William Edwards Deming, "reza a lenda que nos Estados
Unidos, qualidade e produtividade são incompatíveis:
onde existe uma não existe a outra"¹.
A crítica de Deming à visão de
qualidade nos EUA nada mais é do que um alerta
aos administradores. Afinal, a grande preocupação
da maioria dos fabricantes em todo o mundo é
o fato de ser a qualidade, cada vez mais, um indispensável
fator de diferenciação no mercado competitivo.
Os
japoneses pensam diferente desde a segunda metade do
século XX, época em que as indústrias
do país passaram a investir exaustivamente no
refinamento dos seus processos de produção,
com o objetivo de aprimorarem a qualidade de seus produtos.
Em 1948 e 1949, durante uma pesquisa, administradores
de algumas empresas japonesas observaram que a melhoria
da qualidade traz como conseqüência natural
e inevitável a melhoria da produtividade. Em
outras palavras, foi constatado que as atividades das
empresas que prezavam pela qualidade passaram a ter
maior rendimento em relação a tempo e
investimento.
Desde
então, o sucesso da indústria no Japão
se deve a cinco premissas básicas sobre a qualidade
que, segundo Deming, está no quadro negro de
quase todos os dirigentes japoneses com os quais se
reunia:
1.
Quando se tem maior qualidade, os custos caem devido
à menor quantidade de erros, atrasos, defeitos
e reparos. Também melhora a utilização
das máquinas e das matérias-primas.
2. Em conseqüência da premissa número
1, a produtividade aumenta.
3. Com produtos de melhor qualidade e preços
menores as empresas ampliam suas fatias de mercado.
4. A situação favorável gerada
aumenta a longevidade das empresas.
5. O investimento em qualidade aumenta a geração
de empregos.
No
Brasil, um exemplo de investimento na relação
Custo X Cronograma X Qualidade é a tecnologia
de produção de peças plásticas.
Sendo o plástico uma das matérias-primas
mais utilizadas para a fabricação de produtos
de todos os tipos e segmentos, era essencial que o processo
de produção de peças plásticas
fosse aprimorado.
Pensando
nisso, a Quickplast, adotou com exclusividade no país
uma tecnologia alemã de produção
de peças plásticas sem moldes e ferramentas.
A inovação foi um sucesso e está
atraindo o interesse dos fabricantes. Além da
facilidade de não envolver a produção
de moldes no processo de produção, a tecnologia
permite que ajustes e reparos sejam realizados com rapidez
e precisão.
Alguns
fabricantes afirmam que a escolha desde modo de fabricação
foi responsável por uma economia de até
4 meses, sem que a qualidade do produto fosse comprometida.
Realmente, os japoneses estavam certos.
Fonte:
DEMING, William Edwards. Saia da Crise. Tradução
Marcelo Alves – São Paulo:Futura, 2003. |